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Polícia

188 celulares são apreendidos por dia em penitenciárias mineiras

Infográfico: Jornal Hoje em Dia

Boa parte dos quase 60 mil encarcerados no sistema prisional de Minas mantêm contato regular com o mundo externo, ao contrário do que determina a lei. Por meio da contravenção, continuam praticando crimes, mesmo atrás das grades.

Nos últimos cinco anos, mais de 11 mil celulares foram apreendidos nos presídios do Estado. A média é de 188 aparelhos recolhidos por mês, mostra levantamento feito pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).

Conforme a reportagem do jornal Hoje em Dia apurou com especialistas em segurança e profissionais que atuam dentro das unidades prisionais, a maioria utiliza o telefone para conversar com a família, mas não são raros os casos dos que, mesmo encarcerados, comandam o tráfico de drogas e mandam comparsas praticar crimes.

Tocar o terror

Arrancar dinheiro de vítimas, através de trotes de falsos sequestros, também integra a lista dos delitos. O uso do aparelho, inclusive, dá margem para que rebeliões sejam arquitetadas e assassinatos encomendados.

“É usado para a comunicação externa. Ele (preso) quer continuar na vida do crime. Vai dar orientação aos membros da quadrilha, aos que comandam a boca de fumo e até dar ordens de execuções”, afirma o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado (Sindasp-MG), Adeilton de Souza Rocha. Ele lembrou que em 2015 e 2016 três agentes foram assassinados no Triângulo Mineiro. A ordem teria partido de dentro de presídios.

Acesso

Em meio às medidas de segurança adotadas pela Seap no sistema prisional, uma brecha abre espaço para que os telefones cheguem às unidades, principalmente no interior. É o que destaca o presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da Ordem do Advogados do Brasil (OAB-MG), Fábio Piló.

“Nesses locais, as cadeias públicas são casas no meio da cidade. A entrada dos celulares ocorre por um procedimento conhecido como ‘jato’. Comparsas jogam os aparelhos embrulhados em plástico bolha por fora da carceragem. Os agentes não conseguem fazer a vigilância no entorno”.

Resposta

A Seap foi questionada sobre a quantidade de agentes envolvidos em casos de venda de celulares, mas não se pronunciou. Por meio de nota, informou que quando comprovados os desvio de conduta, os funcionários têm o contrato rescindido. Já os efetivos sofrem processo administrativo, podendo ser exonerados.

Via Hoje em Dia

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