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Compra na Black Friday exige cautela e bastante pesquisa

Nesta sexta-feira, consumidores de todo o Brasil – e do mundo – prometem lotar as lojas físicas e congestionar os sites de vendas, em mais uma edição da Black Friday (“sexta-feira negra”, na tradução livre), que acontece no país desde 2010. Porém, apesar dos preços muitas vezes irresistíveis, é preciso cuidado para não cair em armadilhas ou estourar o orçamento, alertam entidades e órgãos de defesa do consumidor do país.

Uma das práticas irregulares mais comuns, segundo a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Claudia Almeida, diz respeito à “maquiagem” dos preços. “Uma das regras é pesquisar o preço do produto que você pretende comprar para ver se ele realmente está em promoção”, diz ela. “Algumas empresas sobem o valor na véspera e baixam na data como se fosse uma oferta. Essa prática é considerada publicidade enganosa”, explica a especialista.

Para facilitar o trabalho, a advogada do Idec dá algumas dicas. Uma delas é visitar sites e lojas diferentes com, pelo menos, alguns dias de antecedência. “Pesquise o preço, as condições de venda e as características da mercadoria. Além disso, guarde o folheto ou tire um print screen (foto da tela do computador ou do celular) com a demonstração do produto e do valor, com data e hora em que foi feito o acesso. Assim, você pode conferir se a oferta foi cumprida”, ensina Claudia.

Preços muito baixos por produtos top de linha também devem levantar suspeitas, segundo a especialista. “Geralmente, as empresas aproveitam para ‘desovar’ produtos fora de linha e limpar os estoques, de olho no Natal. Preços muito baixos podem ser forte indicativo de fraude”, alerta a advogada.

E-mails. Outro cuidado deve ser tomado em relação aos e-mails. Com a proximidade da data, as caixas postais são invadidas por dezenas de mensagens tentadoras, com “ofertas imperdíveis”. Por isso, antes de abrir, desconfie, já que os golpistas aproveitam o momento para lesar os mais distraídos. Os ataques de phishing – crime em que os internautas são convencidos a revelar informações pessoais, como senhas e dados do cartão de crédito – costumam utilizar e-mails inexistentes e domínios que, embora se pareçam com o original, não têm relação com a empresa da suposta oferta.

Planejamento orçamentário é fundamental

Os preços praticados durante a Black Friday podem até parecer tentadores, mas é importante planejar para não comprometer o orçamento, já que em dezembro e janeiro chega a hora de pagar IPTU, IPVA, matrícula escolar e outras contas da época.

Para não gastar mais do que pode, a dica é fazer uma lista de produtos que você precisa e que gostaria de comprar. Também tente estabelecer um limite de gastos. Assim, saberá exatamente quanto da sua renda estará comprometida.

“Antes de comprar, faça três perguntas: ‘Tenho dinheiro para isso? Preciso desse produto? Tem que ser agora?’ Caso as três respostas sejam positivas, compre sem culpa. Caso contrário, pense duas vezes”, aconselha o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

Maioria das fraudes está relacionada a compras pela web

Segundo especialistas em direito do consumidor, grande parte das fraudes está relacionada à internet. Por isso, muito cuidado na hora de fazer compras pela rede. “Os sites falsos são praticamente idênticos aos originais, cópias muito bem-feitas. Por isso, é importante que o consumidor digite o endereço da loja, principalmente quando receber um link por e-mail”, aconselha o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

Ainda de acordo com ele, a página eletrônica deve conter o nome da empresa, o endereço físico, o telefone fixo, o canal de relacionamento com o consumidor e as demais informações necessárias para que o fornecedor possa ser localizado e contactado em caso de problemas. “Além disso, confira se no canto inferior da tela há um cadeado ou chave. E forneça apenas os dados solicitados, nada mais”, acrescenta Barbosa. “Muitas vezes, junta-se a vontade de lesar com a vontade de ser lesado”, diz ele. Evite também sites que só aceitam pagamento via boleto, uma vez que ele não passa pela verificação da administradora do cartão de crédito ou débito.

Outra recomendação do coordenador do Procon Assembleia é consultar a lista do Procon-SP (sistemas.procon.sp.gov.br/evitesite/list/evitesites.php), com mais de 500 sites que devem ser evitados pelos consumidores.

Dados. Guarde todos os dados da compra, como nome do site, produtos pedidos, valor pago, forma de pagamento, data de entrega e número de protocolo da compra ou do pedido, se houver.

Página do exterior deve ser evitada

Outra preocupação do comprador via internet são os sites de vendas hospedados no exterior. “Só são seguras as compras em sites de empresas que têm representantes e assistência técnica no Brasil. Caso contrário, é sinal de problemas graves no futuro”, diz o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

Além disso, o especialista alerta para outra questão, relativa à tributação. “Muitas vezes o produto comprado no estrangeiro é taxado na hora em que entra no Brasil”, diz ele. Com isso o preço, que era baixo, sobe muito, e o consumidor é surpreendido na hora que a mercadoria passa pela alfândega. “Esses sites não estão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor, o que dificulta qualquer reclamação. O vendedor tem que informar na hora da compra o o imposto incidente sobre o produto”, explica Barbosa.

Fonte: O TEMPO

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