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Polícia Civil pede para anular operação e afastar promotores

Representantes dos policiais civis dizem que a harmonia entre as instituições foi prejudicada por operação (Foto: Maurício Rocha)

Se em algum momento houve uma harmonia entre as instituições de segurança pública de Minas Gerais, principalmente as polícias Militar (PM) e Civil, ela está sob grave ameaça. Após a operação Fênix, em que o Ministério Público de Minas (MPMG), com colaboração da PM e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), prendeu, no último dia 19, 57 servidores da Civil, o clima nas ruas ficou péssimo. Os sindicatos que representam os policiais civis afirmam que todo esforço de integração entre as corporações foi “por água abaixo” com as prisões – que eles consideram abusivas – e alertam que, se os promotores do caso não forem afastados, bem como os PMs e rodoviários, o “racha” na segurança deve piorar. Os pedidos de anulação da operação e de habeas corpus para os servidores já foram feitos.

Na quinta-feira (28), ocorreu uma reunião entre o procurador geral de Justiça de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet, o Conselho Superior da Polícia Civil, sindicatos e membros da cúpula do MPMG para discutir esse assunto. “Solicitamos providências rápidas, como afastar os envolvidos e abrir um processo disciplinar como medida efetiva para restabelecer a harmonia entre as instituições, que está abalada”, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Minas Gerais (Sindpol), Denilson Martins. Segundo ele, o prazo para isso seria o dia 12 de janeiro, por conta do recesso do Judiciário. Ele explicou ainda que já pediu que a Justiça anule a operação e determine a abertura de um novo processo de investigação contra os policiais envolvidos, mas sem a prisão preventiva deles. “Não tem flagrante delito, tem gente presa por ter assinado e aceitado um Reds (registro de ocorrência)”, completou Martins.

Investigação. A operação Fênix, deflagrada em Uberlândia, no Triângulo, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), investigava a prática de crimes graves como tráfico de drogas, obstrução de Justiça, organização criminosa, entre outros, envolvendo dezenas de policiais civis. A Polícia Civil considera que houve abuso pelo fato de a corregedoria da corporação não ter sido avisada das prisões e por terem levado os acusados para um quartel militar, entre outros. “Não vamos promover a campanha da impunidade, mas ninguém pode violar a lei para investigar quem tenha violado”, disse o presidente do Sindicato dos Delegados (Sindepominas), Marco Antônio de Paula Assis.

O MPMG, por sua vez, informou na quinta-feira, em nota, que “as investigações foram regularmente conduzidas, nos termos da ordem constitucional e legal. Todas as prisões preventivas e ordens de busca e apreensão foram autorizadas judicialmente e realizadas sob a supervisão direta dos promotores de Justiça”.

Após a reunião de quinta-feira, ainda conforme a nota, o procurador geral defendeu a “prevalência do relacionamento harmônico entre as instituições do sistema de segurança, como forma de se obter melhores resultados na proteção da sociedade”.

Uberlândia

Indignados. Policiais de Uberlândia que não foram alvo da operação estão pedindo transferência, de acordo com o Sindepominas. A entidade informou ainda que o município ficou desguarnecido com a prisão de quase metade de seus agentes.

Combate ao crime fica prejudicado

Por conta própria, por estarem indignados com a forma como se deu a operação, policiais civis já estariam retaliando os militares nas operações diárias. “Não orientamos que isso fosse feito, mas já tem uma animosidade nas ruas”, destacou o presidente do Sindipol, Denilson Martins. Segundo ele, os civis não estão aceitando, por exemplo, registro de ocorrências na delegacia passadas mais de oito horas do fato. “Estão recebendo só quando há flagrante e não tem alteração do local do crime. Se não tiver tudo certo, a orientação agora é levar os fatos direto para o Ministério Público”, explicou Martins.

A desmotivação dos policiais civis para trabalhar já era grande, complementou o presidente do Sindepominas, Marco Antônio de Paula, por conta das péssimas condições, e ficou ainda pior “com essa devassa na véspera de Natal”.

Saiba mais

Regras. As duas primeiras etapas da operação Fênix tiveram participação da Corregedoria da Civil, mas, nessa última fase, a categoria alega que “tudo foi feito às escondidas”. Os policiais civis presos foram conduzidos por militares, e, segundo sindicato, a regra era que isso fosse feito por civis ou federais. “Uma operação irresponsável, midiática. Os civis passaram noite e dia no quartel da PM, e foi negado acesso aos autos”, apontou Marco Antônio de Paula.

Resposta. A reportagem tentou falar com a Polícia Militar no início da noite de quinta, mas não conseguiu contato.

Com informações de O TEMPO

 

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