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Tijucano, Luiz Vilela é entrevistado na 2ª temporada da Série Super Libris da SescTV; assista

Apontar um traço de identidade na literatura brasileira contemporânea não é tarefa fácil nem para quem entrevistou dezenas de autores em um período de quase cinco anos.

O país vive um “samba do crioulo doido”, na definição do jornalista e cineasta José Roberto Torero. Ele dirige e roteiriza o programa “Super Libris” (na SescTV), que toda segunda-feira coloca um escritor brasileiro no centro da telinha. A direção-geral é assinada também por Ana Dip.

Na última segunda-feira, 25, foi ao ar a entrevista com o escritor de Ituiutaba, Luiz Vilela, autor de “Você Verá” (Record, 2013) e “Perdição”(Record, 2011), entre outros títulos que notabilizaram o mineiro pela condução de diálogos.

É nessa característica de Vilela que o episódio, intitulado “O Bang-Bang das Palavras”, procura se aprofundar, questionando, por exemplo, “Por que o bangue-bangue verbal foi o modo de o brasileiro compor a sua escrita?”.

A resposta é curta. “O brasileiro de um modo geral gosta de conversar, e isso se reflete na literatura”, diz Vilela.

Com a estreia da segunda temporada, em maio, o programa vai formar um catálogo de 79 episódios. Foram 52 na primeira, incluindo entrevistas com Ruy Castro, Luis Fernando Verissimo, Ruth Rocha, Ignácio de Loyola Brandão, Ferréz, Antonio Prata, Thalita Rebouças e Xico Sá.

Nos 27 episódios da temporada em curso, há Chico Buarque, José Miguel Wisnik, Bernardo Ajzenberg, Ana Maria Machado, Paulo Lins, Cíntia Moscovich, João Paulo Cuenca, Angela Lago. Abrangem-se as produções de quadrinhos, canções, romances de gênero, histórias de amor.

Torero saiu dessa avalanche de conversas com a impressão de que, a partir dos anos 1980, com o fim do regime militar, a literatura se estilhaçou. Antes, a tônica estava no engajamento, diz, “o que é compreensível, porque vivíamos a ditadura”.

Depois, passou-se a fazer, por exemplo, “o romance histórico, literatura com mais humor e obras para entretenimento”, prossegue.

“Trinta e cinco anos atrás, quando entrei na faculdade de letras, a literatura de gênero era algo impensável. A gente não se permitia algo que não fosse uma investigação social ou psicológica”, diz o autor de “O Chalaça”, que venceu o prêmio Jabuti em 1995.

A questão da identidade brasileira já havia atravessado um episódio da temporada passada de “Super Libris”, quando foi proposta a Eduardo Bueno, um autodeclarado admirador do cinismo.

O ceticismo veio em forma de pergunta: “Qual a reflexão que a gente tem sobre o Brasil hoje em dia? Será que é nas redes sociais, para mim desprezíveis e repugnantes redes sociais?”. Bueno, por fim, conclui que o tema identitário está totalmente em baixa.

A entrevista com o escritor tijucano foi pauta de matéria na Folha de São Paulo.

Ituiutaba

Luiz Vilela nasceu em Ituiutaba no dia 31 de dezembro de 1.942. Ele se formou em Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Depois de residir em São Paulo, e passar períodos nos Estados Unidos da América e na Espanha, Luiz Vilela vive desde meados dos anos 1.970 em sua cidade natal.

Ele estreou-se na literatura aos 24 anos, com o livro de contos Tremor de terra, pelo qual recebeu o Prêmio Nacional de Ficção em Brasília. Participou de vários projetos literários, como A Revista a Página dos Novos, editada pelo jornal Estado de Minas.

Luiz Vilela também foi premiado no I e II Concurso Nacional de Contos, do Paraná. Vários são os estudos sobre suas obras nas universidades brasileiras, com também alguns trabalhos no exterior. Destacam-se “O diálogo da compaixão na obra de Luiz Vilela”, de Wania Majadas, lançado em 2000, Goiás, e em 2012, Minas Gerais, e a tese “Faces do conto de Luiz Vilela”, de Rauer Ribeiro Rodrigues, defendida em 2006 na Unesp de Araraquara. Seus contos, romances e novelas já foram publicados em vários países, como Estado Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Suécia, Polônia, República Tcheca, Argentina, Paraguai, Chile, Venezuela, Cuba e México.

Luiz Vilela é entrevistado na Série Super Libris da SescTV

Com informações da Folha de São Paulo

 

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