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Capins do gênero braquiária (brachiaria) são os mais plantados no Brasil, porque se adaptam aos mais diversos climas e solos do país

Conheça as principais espécies de braquiárias, pasto mais cultivado para alimentação de bovinos

Mais do que apenas “mato”, variedades são protagonistas na alimentação de rebanhos na região do Cerrado

Capins do gênero braquiária (brachiaria) são os mais plantados no Brasil, porque se adaptam aos mais diversos climas e solos do país

As pastagens são a principal e a mais barata fonte de alimentação de rebanhos bovinos brasileiros. Mas, com tantas ofertas de cultivares disponíveis no mercado, como escolher a mais adequada? A pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Maria Celuta afirma que a opção mais adequada depende, sobretudo, de condições de clima, solo e altitude.

De acordo com Maria, os capins do gênero braquiária (brachiaria) são os mais plantados no Brasil, porque se adaptam aos mais diversos climas e solos do país. Por esse motivo, as sementes são amplamente comercializadas por cooperativas e estabelecimentos agrocomerciais. Elas predominam principalmente em ambientes de Cerrado, onde se encontra a maior parte de produção pecuária brasileira.

Acompanhe, a seguir, as principais variedades de braquiárias e suas particularidades.

Brachiaria decumbens cv. Basilik

Por apresentar crescimento intensivo e cobrir o solo rapidamente, essa variedade tem sido a gramínea preferida para formação de pastos em região de topografia montanhosa. Além disso, reduz a infestação por plantas invasoras e os danos ao solo por erosão.

Mesmo se adaptando e se desenvolvendo razoavelmente bem em solos de baixa fertilidade, a variedade responde bem à adubação. Ela também coloniza áreas de até 1.750 metros acima do nível do mar em áreas de textura arenosa ou argilosa, desde que bem drenadas.

Sua temperatura ideal de crescimento é entre 30º e 35ºC. A variedade é tolerante à seca e, embora seque por completo em regiões onde não há chuvas em períodos de estiagem – como no Cerrado -, pode ser armazenada na forma de feno.

Brachiaria brizantha cv. Marandu

O capim-Marandu apresenta ampla adaptação climática, pois suporta altitudes de 3 mil metros acima do nível do mar, precipitação mínima de 700 milímetros anuais e até cinco meses de seca. A variedade não tolera solos encharcados, embora aceite sombreamento e até mesmo fogo.

A temperatura ideal de crescimento do capim-Marandu é entre 30º e 35ºC, com temperatura mínima de 15ºC. É recomendado para solos de média e boa fertilidade, mas responde bem à adubação e é indicado para sistemas intensivos com alto investimento. Pode ser recomendado para terrenos de topografia acidentada, mas requer cuidados no manejo do pasto.

A semeadura do capim-Marandu deve ser feita entre 2 e 4 centímetros de profundidade com densidade de plantio em torno de quatro quilos por hectare de sementes viáveis, em solos preparados convencionalmente.

Brachiaria brizantha BRS Paiaguás

O capim-Paiaguás é mais uma excelente opção para diversificar as pastagens em solos de média fertilidade no cerrado. É selecionado com base na produtividade, vigor, produção de sementes e, apesar de não apresentar resistência à cigarrinha das pastagens, mostra elevado potencial de produção animal no período seco, com alto teor de folhas e bom valor nutritivo.

A grande vantagem do BRS-Paiaguás é perceptível durante o período seco, quando o capim apresenta maior acúmulo de forragem de melhor valor nutritivo, o que resulta em mais ganho de peso dos animais por área (cerca de 45 quilos por hectare a mais que o capim-BRS Piatã em um ano, por exemplo).

Brachiaria brizantha BRS Piatã

O capim-Piatã é apropriado para solos de média fertilidade. A variedade se adapta muito bem a locais drenados e é mais tolerante que o capim-Marandu a espaços com drenagem ruim. A variedade é resistente às cigarrinhas típicas de pastagens, mas não tão forte contra a cigarrinha-da-cana-de-açúcar, o que limita sua atuação em áreas com histórico de problemas com pragas desse gênero.

Durante seca, observa-se mais ganho de peso por animal com o capim-Piatã (349 g/dia) em relação ao capim-Xaraés (286 g/dia) e ao capim-Marandu (312 g/dia), o que indica que a forrageira tem maior qualidade. Tem sido considerado uma boa opção para integrar lavoura e pecuária, por apresentar fácil dessecação e crescimento inicial mais lento, além de características favoráveis de manejo, arquitetura de planta e acúmulo de forragem na seca.

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