Agronegócio

Queda da safra de café afeta recuperação do PIB de Minas

A queda de 18,5% na quantidade de café arábica produzida no Estado no terceiro trimestre impactou o PIB do agronegócio (Foto: Daniel de Cerqueira)

Após ter ensaiado uma recuperação, com alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4% no segundo trimestre frente o primeiro, na série com ajuste sazonal, o indicador mineiro teve recuo de 0,7% no terceiro trimestre de 2017 em relação ao período anterior, conforme levantamento divulgado nessa quinta-feira (14) pela Fundação João Pinheiro (FJP). O resultado de Minas Gerais foi pior que o nacional, em igual base de comparação. O PIB do país teve alta de 0,1%. O setor agropecuário contribuiu para o desempenho negativo, já que registrou recuo de 8,4% nesse tipo de comparação. Aliás, a atividade registrou queda no PIB em todas as outras análises feitas pela FJP. No terceiro trimestre deste ano frente igual período de 2016, a queda foi ainda mais intensa, 13,4%. No ano, o recuo foi de 2,8% e, no acumulado dos últimos 12 meses, a retração chegou a 2,3%.

O pesquisador da fundação Glauber Silveira observa que a retração do PIB do setor foi impactada pela queda de 18,5% na quantidade de café arábica produzida no Estado. “Vale lembra que o produto representa um terço do desempenho do setor agropecuário”, observa. A coordenadora da assistência técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, ressalta que a safra de grãos se concentrou no primeiro semestre e, dessa forma, impactou no resultado do terceiro trimestre deste ano.

Depois do PIB do agronegócio mineiro ter computado alta de 8,20% no ano passado, em 2017, a expectativa da Faemg é de recuo. Com base no resultado dos nove primeiros meses deste ano, a perspectiva de retração é de 5,35%. “O impacto da crise na cesta de compras das famílias, o aumento do custo de produção e a margem de lucro menor para os produtores de diversas áreas foram alguns dos fatores que prejudicaram a atividade neste ano”, analisa Aline.

O crescimento dos setores serviços e indústria não foi suficiente para contrabalançar inteiramente a retração de 8,4% do setor agropecuário no Estado. O pesquisador da FJP ressalta que o setor industrial apresentou resultado levemente positivo, com alta de 0,2% no terceiro trimestre frente o anterior. A boa notícia ficou por conta da indústria de transformação, que pelo terceiro trimestre consecutivo apresentou incremento no volume agregado. No terceiro trimestre de 2017, a atividade no Estado teve expansão de 1,4% em relação ao segundo trimestre deste ano.

Economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sergio Guerra afirma que o setor vem se recuperando gradualmente. “O pior já passou”, diz. Para ele, o PIB do Estado deve ter crescimento de 0,5% a 0,6% neste ano. Já o pesquisador da FJP estima alta de 0,4% a 0,6% para o indicador no mesmo período. Os resultados negativos da indústria da construção não foram surpresa para o economista do Sinduscon-MG, Daniel Furletti. A expectativa é de desempenho positivo em 2018.

Para o Brasil. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nessa quinta-feira (14) que a previsão de alta do PIB nacional subiu de 0,5% para 1,1% em 2017. Para 2018, a projeção passou de 2% para 3%.

BH e Uberlândia são as cidades mais ricas

Os cinco municípios com maior participação no Produto Interno Bruto (PIB) mineiro – Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim e Juiz de Fora – responderam por 34,9% do total das riqueza produzida no Estado em 2015. As duas mais ricas, BH e Uberlândia, concentram 22,5% do PIB.

Na composição setorial do PIB desses municípios, à exceção de Betim, o setor serviços responde por mais de dois terços da produção econômica.

A capital participa com 16,8% do PIB de Minas, seguida por Uberlândia, que se consolidou na segunda colocação desde 2012, trocando de lugar com Betim, que ocupou em 2015 a quarta posição, com 4,6% do PIB. Ao longo de 2010 a2015, Contagem permaneceu ocupando a terceira posição, com 5%.

Construção tem 4º ano de queda

Pelo quarto ano consecutivo, a construção civil de Minas Gerais encerrará com recessão. Só em 2017, o setor deve registrar uma retração de 6,4%, mas, considerando desde 2014, a retração acumula perdas de 25,85%. Embora os números ainda estejam negativos, a situação é menos pior do que a do ano passado, quando a queda foi de 9%. E, para o ano que vem, as expectativas são mais animadoras. O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG) projeta um crescimento de 2% para 2018.

Segundo o vice-presidente do Sinduscon, Geraldo Linhares, a queda dos juros é um forte indício para a retomada da construção, assim como a recuperação da macroeconomia. “Em 2017, a taxa Selic caiu para 7%, o menor patamar da história. Para o ano que vem, deve chegar a 6,5%. Isso é muito bom, pois é muito próximo da remuneração da poupança e as pessoas começam a voltar a investir em imóveis”.

Entre as contratações e demissões, o saldo ficou negativo com menos 11.405 postos de trabalho, entre janeiro e setembro. “Se não tem obras, não tem emprego. Entretanto, já começamos a sentir melhora. Inclusive, deve faltar imóveis no ano que vem, pois os estoques baixaram e tivemos poucos lançamentos”, comenta. (Queila Ariadne)

EM MINAS GERAIS

-7,7% queda da construção de janeiro a setembro de 2017

-25,86% queda acumulada pelo setor nos últimos quatro anos

Fonte: O TEMPO

 

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