Agronegócio

Sudeste e Centro-Oeste podem reviver crise hídrica no próximo verão

Com possível ápice do El Niño, nível dos reservatórios corre o risco de ficar tão crítico quanto o de 2014

Quem não se lembra de 2014, quando o sistema Cantareira que abastece grande parte da população de São Paulo chegou ao seu volume morto? A falta de chuvas naquele ano culminou em um verão drástico para o Sudeste do Brasil. Os meteorologistas estão afirmando que o cenário climático para o próximo verão pode ser semelhante.

Com a informação de que o El Niño previsto terá o seu ápice no alto verão, as condições de chuva abaixo da média entre o Sudeste e o Centro-Oeste já podem ser consideradas uma realidade.

“O El Niño segura as frentes frias no Sul do Brasil, e a primavera pode ter temporais bem nervosos na região”, explica a meteorologista da Somar Desirée Brandt. Isso explicaria a falta de chuva em outubro para o Brasil central. Mas, de acordo com os especialistas, não é só em outubro que a chuva poderá falhar.

Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro estão com estimativas de chuva abaixo do normal em parte do Sudeste Centro-Oeste. Isso vai impactar também a safra do Nordeste, região do Matopiba, que planta mais tarde, e também afetar os reservatórios do Sudeste. “Não será um verão para encher reservatório, muito o oposto disso”, diz Brandt.

Segundo ela, ainda não temos condições de afirmar que vamos viver uma nova crise hídrica. “O que comparamos são cenários climáticos semelhantes. O próximo verão está com um comportamento do oceano Pacífico Equatorial bem parecido com o que tivemos em 2014 quando vínhamos de um resfriamento das águas para um ligeiro aquecimento, que posteriormente em 2015 virou um dos El Niños mais fortes da história”, afirma ela.

Por enquanto, ainda nem temos El Niño configurado. As previsões indicam seu ápice no alto verão, entre fevereiro e março, mas de acordo com Brandt estamos falando de previsões.

“Precisamos ver como vai se comportar esse aquecimento do oceano, mas já é bom as pessoas esperarem um verão mais quente, com menos chuva, maior demanda de água e menor índice de reservatórios entre o Sudeste, Centro-Oeste e o Matopiba”, afirma.

Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural

 

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