Pontal em Foco
Procon também pediu para que os consumidores, se possível, entreguem essas cervejas às autoridades (Foto: Túlio Santos/EM)

Substância encontrada em cerveja mineira já causou centenas de mortes pelo mundo; lotes com suspeita de contaminação não devem ser consumidos

O dietilenoglicol já provocou desastres em vários continentes

Procon também pediu para que os consumidores, se possível, entreguem essas cervejas às autoridades (Foto: Túlio Santos/EM)

A substância dietilenoglicol, encontrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em lotes da cerveja Belorizontina e que pode ter dado início a uma doença misteriosa no estado, já provocou desastres pelo mundo. Em 2009, por exemplo, autoridades de Bangladesh encontraram vestígios do produto químico tóxico em um xarope de paracetamol que teria matado 24 crianças. 

À época, as crianças, que tinham entre 11 meses e três anos, morreram devido a problemas renais depois de terem consumido uma marca de xarope de paracetamol. 

Em novembro de 2008, bebês começaram a morrer na Nigéria após desenvolverem febres e vômitos. As investigações revelaram que todos haviam tomado um medicamento chamado “My Pikin Baby”, uma mistura de dentição contaminada com dietilenoglicol. 

O veneno causou a morte de pelo menos 84 crianças entre dois meses e sete anos. O governo nigeriano localizou o dietileno glicol em um revendedor de produtos químicos não licenciado, que o vendeu a um fabricante farmacêutico local.  

Em 1990, outro caso na Nigéria abalou o país. Naquele ano, 47 crianças foram internadas no hospital universitário Jos University, com anúria, febre e vômito. As crianças mais tarde desenvolveram insuficiência renal e morreram.  

Todas as crianças receberam xarope de acetaminofeno para tratar infecções respiratórias superiores relacionadas à malária. Depois que os médicos identificaram um xarope suspeito de paracetamol, as amostras foram enviadas para os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos EUA. Esse incidente encorajou o governo nigeriano a desenvolver diretrizes de controle de qualidade farmacêutica. 

A substância também já provocou mortes na Argentina, Espanha e Índia. 

Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) aconselhou, embasado em um laudo da Polícia Civil divulgado na noite da última quinta-feira, 9, que consumidores que tenham os lotes L1 1348 L2 1348 da marca de cerveja Belorizontina, produzida pela Backer, não as bebam.

“O Ministério Público tem acompanhado essa situação, porque ela é grave. Os consumidores estão expostos a riscos. É importante que, dessas pessoas que estão hospitalizadas, há um elemento comum do consumo nas primeiras informações, que seria o consumo dessa cerveja Belorizontina. Ao visitar dois pacientes, houve a coleta de amostras dessa cerveja, e essas análises deram positivo para dietilenoglicol, que é uma substância utilizada no processo de refrigeração da cerveja na sua produção, em serpentinas. Essa análise, pelo que se viu das investigações, é compatível com os problemas que sofreram”, disse Amauri da Matta, promotor de Justiça do Procon estadual.

Procon também pediu para que os consumidores, se possível, entreguem essas cervejas às autoridades. “Os consumidores que tenham essa cerveja nas suas residências devem verificar esse lote e não consumir. Se possível, disponibilizar esses lotes para as investigações”.

Fonte: Estado de Minas

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