Política

Empresário falido João Lyra é citado em investigação da Lava Jato

Uma investigação feita a partir de documentos do escritório de advocacia e consultoria Mossack Fonseca, do Panamá, país da América Central, revela 107 offshores – empresas constituídas no exterior – ligadas a empresas e políticos citados na operação Lava-Jato.

As informações foram inicialmente obtidas pelo jornal alemão Suddeutsche Zeitung e compartilhadas com um consórcio de jornalistas de vários países. No Brasil, participam repórteres do portal UOL, do jornal Estado de São Paulo e da Rede TV.

A investigação aponta que a Mossack Fonseca criou offshores para, pelo menos, 57 suspeitos de participar do esquema de corrupção na Petrobrás.

O nome offshore é dado a empresas abertas por pessoas ou empresas num país diferente daquele em que residem, para aplicações financeiras e compra de imóveis. Ter uma offshore não é ilegal, desde que a empresa seja declarada no Imposto de Renda. Segundo as informações divulgadas neste domingo (4), a Mossack operou para pelo menos seis grandes empresas brasileiras e famílias citadas na Lava-Jato, abrindo 16 empresas offshore, das quais apenas nove são novidade para a força-tarefa.

Essas 16 offshores são ligadas à empreiteira Odebrecht e às famílias Mendes Júnior, Schahin, Queiroz Galvão, Feffer do grupo de Papel e Celulose Suzano, e Walter Faria, da cervejaria Petrópolis. Integrantes da família Feffer não respondem a acusações da Lava-Jato. Mas a força-tarefa investiga a compra da Suzano Petroquímica pela Petrobras, em 2007.

O escritório brasileiro da Mossack Fonseca foi alvo da 22ª operação da Lava-Jato, em janeiro deste ano. Os investigadores suspeitam que a empresa teria ajudado a esconder o nome dos verdadeiros donos de apartamentos no edifício Solaris, na cidade de Guarujá. Entre os políticos citados, estão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, e o usineiro e ex-deputado federal Joao Lyra, do PTB.

Os documentos da Mossack Fonseca apontam também para João Henriques, que seria um dos operadores do PMDB. Ele é sócio de uma offshore do ex-controlador do banco BVA, José Augusto Ferreira dos Santos. O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, citou em sua delação premiada a relação do BVA com o senador Edison Lobão, do PMDB.

O vazamento de informações da Mossack Fonseca também repercutiu em outros países. Segundo o site da TV britânica BBC, os 11 milhões de documentos mostram como a empresa ajudou clientes a evitar o pagamento de impostos e a lavar dinheiro. O escritório panamenho afirma que trabalha há 40 anos dentro da legalidade e que jamais foi acusado de qualquer crime. Segundo a BBC, os documentos mostram ligações com 72 chefes e ex-chefes de estado.

Os dados envolvem pessoas ligadas às famílias e sócios do ex-presidente do Egito, Hosni Mubarack, do ex-líder da Líbia, Muammar Kaddafi, e do presidente da Síria, Bashar al-Assad. Também levantam suspeitas de um esquema de lavagem de dinheiro comandado por um banco russo e por pessoas ligadas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. E ainda ao primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugssson.

O governo da Islândia disse que o primeiro-ministro respeita as leis.

No Brasil, o deputado Eduardo Cunha disse que não tem relação com a offshore citada. E que não há qualquer assinatura dele.

A defesa de Cerveró disse que qualquer offshore que exista em nome dele foi declarada ao Ministério Público.

O advogado de Edson Lobão afirmou que o senador nunca teve conta em offshore.

O grupo Petrópolis, a Queiroz Galvão, o Grupo Suzano e o Grupo Schahin disseram que suas operações foram feitas da forma legal.

A Odebrecht não quis comentar.

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