Política

Na Câmara, diretor clínico do HSJ expõe situação financeira crítica que pode resultar em graves consequências

Foto: Pontal em Foco
Uma notificação que expõe a atual situação foi enviada ao Conselho Regional de Medicina em Uberlândia

O diretor clínico do Hospital São José, Rodrigo Otávio Braga, participou da 22ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Ituiutaba, realizada na noite da última segunda-feira, 7, às 18h, onde usou a palavra para dar publicidade e levar ao conhecimento dos representantes do povo tijucano um grande problema enfrentado pelo HSJ.

Inicialmente, o diretor falou aos presentes que em outras oportunidades foi convidado à comparecer nas reuniões, porém, desta vez, o próprio “se convidou”. “É uma questão de responsabilidade, como cidadão e diretor clínico de uma instituição que existe há alguns anos nesta cidade. A situação em que nós estamos vivendo hoje dentro do Hospital São José é de grandes e repetitivas dificuldades, e o que me motiva estar aqui hoje é com relação ao subfinanciamento. Esse assunto que trazemos precisa ser levado a sério. Hoje tomei uma atitude que relutei muito em adotar, precisei fazer uma notificação ao Conselho Regional de Medicina, pois existe uma delegacia do CRM em Uberlândia, que já havia sido feita por e-mail e no site, alertando da gravidade de nossa situação”, explicou.

Segundo Rodrigo, as pessoas se confundem um pouco quando veem o HSJ executando melhorias como exemplo, construindo emergência, centro cirúrgico, reformando a maternidade , infelizmente, não conseguem separar o que é verba de melhoria e verba de custeio. “Nossa maternidade ficará linda, visito a obra todos os dias, porém, ela não terá como funcionar, porque somos a única instituição pública que atende um raio de duzentos mil habitantes. Daí fica o questionamento, onde mais tem maternidade na região?”, questionou.

De acordo com o diretor clínico, a demanda de atendimento para a região é absurda. “Costumo falar que as pessoas, a região, os secretários das cidades da região nunca estão de costas para nós, pois os vejo de lado. Quando é conveniente para eles, se viram de frente para nós, quando passa o interesse, estão de costas. Essa é uma realidade”, lamentou.

O HSJ possui atualmente uma unidade terceirizada de hemodiálise, que atender 162 pessoas da região, que dependem do atendimento para viver. Já o serviço de oftalmologia atende cerca de três mil consultas por mês. E, segundo os diretores, mais de 92% dos atendimentos são feitos pelo Sistema Único de Saúde – SUS.

Rodrigo afirmou que o hospital possui atualmente dívida no valor de R$ 6.901.000,00 (seis milhões, novecentos e um mil reais), e deficit de custeio de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil), valor considerados inviáveis. Além disso, ele elucidou que desde o início deste ano, após reunir-se com o corpo clínico, realizou o congelamento da dívida com os profissionais e acertou ainda a continuidade dos trabalhos exercidos pelos mesmo por 25% a menos por mês. “O Hospital está tentando cumprir desde janeiro estes pagamentos. A notificação que fiz ao CRM hoje é a seguinte, o dia que não tivermos funcionários para manter o atendimento, coisas graves acontecerão dentro da instituição. Nós estamos no limite, ou um pouco além dele”, finalizou.

O HSJ possui atualmente 165 funcionários diretos, trabalhando com número mínimo possível para garantir o atendimento à população.

Com o desabafo do médico que há mais de trinta anos presta serviço no Hospital São José, acende-se mais um alerta à população de Ituiutaba e de várias da região que dependem do serviço médico. Principalmente, pelo fato de que grandes são as mazelas já enfrentadas pelos usuários do SUS.

Os governantes e legisladores do município e da região precisam tratar a questão com bastante cautela e emprenho político.

Foto: Pontal em Foco
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONTINUAR LENDO

CLOSE
FECHAR