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Política

Sem votos, governo já pensa em adiar reforma da Previdência para 2018

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que, hoje, o governo não tem votos necessários para aprovar a reforma (Foto: Aloísio Maurício)

Diante das dificuldades em obter os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência e do prazo apertado para votar as medidas de ajuste fiscal no Congresso, o governo decidiu — pelo menos por ora — não trabalhar com data para votar a proposta. Na quinta-feira (30), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que os defensores da reforma da Previdência estão “muito longe” dos 308 votos necessários para a aprovação. Distante desse número, o Palácio do Planalto não quer correr o risco de pautar a matéria e ser derrotado — o que traria impacto negativo imediato para o mercado, além de contaminar a aprovação de medidas de ajuste fiscal importantes para 2018, faltando apenas três semanas para encerrar o ano legislativo.

Por isso, nos próximos dias, dizem interlocutores do presidente Michel Temer, o governo deve assumir uma posição mais realista e reconhecer que a reforma da Previdência ficará para o ano que vem.

“Se conseguirmos, vamos votar neste ano, mas não posso dar uma data porque não tem voto. Só vou marcar uma data se tivermos os votos”, disse Rodrigo Maia. “Não estou sendo pessimista com a reforma da Previdência, estou sendo realista. Trabalho 24 horas por dia nesse tema”, acrescentou. Segundo Maia, muitos deputados e amigos falam com ele que esse tema é polêmico e difícil. “Disseram que eu deveria sair desse tema. Não vou sair porque a Previdência vai garantir o futuro de muitas crianças no país”, acrescentou. Maia ponderou que ainda tem esperança de que conseguirá reverter a percepção dos colegas de que o apoio à reforma da Previdência vai tirar votos nas eleições do ano que vem.

Segundo Maia, a base não está articulada como deveria. Ele ressaltou a importância do PSDB para a votação, mas sinalizou que as mudanças sugeridas pelo partido não serão aceitas. “As propostas feitas inviabilizam a reforma, seriam mais de R$ 100 bilhões de perda do ajuste fiscal”, completou. A economia esperada com a reforma já está em cerca de 60% do previsto no texto original – de R$ 793 bilhões em dez anos, o valor caiu para R$ 476 bilhões.

Apesar do desânimo dentro do governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, ainda acredita em votação neste ano. “O governo trabalha para que a reforma da Previdência seja votada com a maior brevidade possível”, disse. Ele afirmou que a “esperança” é ter um placar dos votos favoráveis “no momento necessário”, que é antes do encerramento do ano legislativo. O ministro voltou a afirmar que não há mais espaços para flexibilizações no texto.

O ministro da Casa Civil disse que a reunião do presidente Michel Temer com líderes e presidentes de partidos no próximo domingo vai viabilizar uma “aferição das dificuldades que porventura ainda restaram” depois do enxugamento que foi feito no texto da reforma da Previdência.

Contas

“Se conseguirmos, vamos votar neste ano, mas não posso dar uma data porque não tem voto. Só vou marcar uma data se tivermos os votos”

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Presidente da Câmara

“Vamos reunir as bancadas na Câmara e no Senado e a Executiva, que vão decidir a posição definitiva do partido em relação à reforma da Previdência”

Alberto Goldman

Presidente interino do PSDB

Fonte: O TEMPO

 

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