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Saúde e Bem-estar

Pesquisador espanhol defende que vício não é doença mental

O antropólogo espanhol Oriol Romaní participou de congresso em BH (Foto: Lincon Zarbietti)

O antropólogo espanhol Oriol Romaní, PhD em antropologia cultural pela Universidade de Barcelona, defendeu que a origem da dependência de drogas é biopsicossocial, ou seja, está ligada a fatores biológicos, psicológicos e sociais. “A adição não deve ser definida como uma doença mental”, declarou durante o 6° Congresso da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (Abramd), que é realizada em Belo Horizonte e se encerra nesta sexta-feira (10).

Romaní defende que, além da desintoxicação, é preciso que o dependente mude suas atitudes e comportamentos. “Mas, se o tratarmos como um doente mental, ele sofrerá um processo medicamentoso apenas. E ele será sempre um viciado, incapacitado para sempre”, afirmou.

O antropólogo reconhece que o vício tem sua dimensão. “Em última instância, a adição não é uma doença mental crônica, mas um processo comportamental do qual se recuperam não menos que 80% dos afetados, e cerca de três quartos sem necessidade de tratamento”, afirma.

Tratamento. A forma como a dependência de drogas é tratada no país foi duramente condenada pelo psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“O psiquiatra precisa deixar de ser tão clínico e (começar a) adentrar na realidade de quem ele atende. Estamos falando de seres humanos e experiências completamente individuais. Não dá para ser (sic) somente remédios. O modelo atual limita a atuação do usuário, que tem direito a participar do processo ativamente”, argumentou.

Contrabalanço. Do outro lado, o psiquiatra Frederico Garcia, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), adverte que a definição de dependência não deve residir apenas nos fatores biológicos, psicológicos e sociais.

“É definida como doença crônica porque a substância causa um efeito agudo no usuário. Além disso, a droga, à medida que é consumida, promove danos no cérebro, fazendo com que o usuário se torne cada vez mais sensível a sua presença, necessitando dela”, explica.

Garcia não discorda de que a dependência engloba um fator biopsicossocial. “É claro que se refere ao comportamento, uma vez que a dependência o altera. Mas também temos a genética (envolvida), quando uma pessoa pode ter uma predisposição maior ao uso se um parente próximo viveu ou vive essa realidade”, alerta.

Para Garcia, o tratamento deve ser clínico, considerando todos os demais elementos que compõem a realidade de cada um.

“O bom psiquiatra vai considerar todos os elementos da vida do paciente. Por exemplo, não deve prescrever um remédio de R$ 1.000 a quem não tem condições de comprá-lo, assim como prescrever um que não responda às necessidades físicas do paciente”, diz.

Falha. “Não ter locais e profissionais que trabalhem com uma metodologia mais humanista causa um aprofundamento do problema na sociedade”, alerta a antropóloga Regina de Paula.

Conservadorismo. “No Brasil, o que dificulta é que a gente tem uma mentalidade muito reacionária. E nisso podemos incluir o padrão utilizado para se diagnosticar a dependência, que é acusatório: se você usa qualquer substância, você é um doente mental”, afirmou o psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp.

UNIFESP

Maconha é associada à qualidade de vida

Pessoas que usam a maconha de forma recreativa têm uma qualidade de vida maior do que aquelas que não utilizam drogas ilícitas ou prescritas. É o que aponta um estudo feito recentemente pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 6.200 usuários de maconha.

O estudo foi apresentado no 6º Congresso Internacional da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (Abramd) pelo psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira. Ele é coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Unifesp e o responsável por essa pesquisa.

O psiquiatra não apresentou os detalhes do estudo, que deve ser publicado até o fim do ano, mas adiantou que os não usuários de drogas apresentaram maiores taxas de crises de ansiedade e depressão quando comparados aos usuários de maconha.

Fonte: O TEMPO

 

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