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Voluntário uberlandense se dedica a resgatar ‘crianças bruxas’ africanas

Voluntário uberlandense se dedica a resgatar ‘crianças bruxas’ africanas

13/08/2016 12h00 Atualizada há 4 anos
Por: Micaela Garcia

Mineiro integra projeto social desde 2012 e dissemina trabalho no Brasil. Objetivo é resgatar crianças na Nigéria que sofrem preconceito e abandono

[caption id="attachment_96376" align="alignright" width="300"]uber2 Rogers participou do resgate de quatro crianças nigerianas (Foto: Reprodução/ Gito Wendel/Arquivo Pessoal)[/caption]

Salvar crianças nigerianas do abandono e preconceito criado por líderes religiosos, que as denominam como bruxas, passou a ser a vida e o trabalho do voluntário Rogers Marlon Wendel, mais conhecido como Gito. O morador de Uberlândia tem 31 anos e, desde 2012, integra o projeto social “Missão Salvar Crianças Bruxas” combatendo o fenômeno de bruxificação de crianças na África. E por meio de palestras feitas pelo país, busca disseminar o trabalho social.

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De acordo com ele, a bruxificação ocorre quando líderes religiosos acusam crianças de terem espírito de bruxos e trazer azar, doenças e tirar a sorte das pessoas ao entorno.  “Uma criança que fala durante o sono ou é muito sapeca, por ter déficit de atenção ou algum problema comportamental, são acusadas e tais líderes cobram um valor para desbruxificá-las. Muitas das famílias não têm condições, então são obrigadas a abandonar seus filhos”, contou.

A partir do momento que são abandonadas, as crianças ficam vulneráveis à violência e, em alguns casos, chegam a ser assassinadas em virtude do ódio gerado pela cultura da bruxificação.

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Depois de serem resgatadas pelo grupo, as crianças são acolhidas em um orfanato na Nigéria onde, atualmente, há cerca de 40 vítimas que foram consideradas bruxas. Nesse centro de acolhimento são garantidos acesso aos estudos e atendimento médico, alimentação adequada, acompanhamento psicológico, aulas de violão e artes, além de ser incentivada a prática de esportes como atletismo e futebol.

[caption id="attachment_96373" align="aligncenter" width="620"]uber Projeto resgata crianças ditas como bruxas por líderes religiosos (Foto: Reprodução/ Gito Wendel/Arquivo Pessoal)[/caption]

“Eu participei efetivamente do resgate de quatro crianças. A sensação é de muita alegria, dor, angústia e raiva. Angústia de ver a realidade em que estavam sobrevivendo, o estigma, os maus-tratos. A dor de vê-las tão desesperançadas de tudo. Raiva por saber onde o ser humano é capaz de chegar por sua ganância e alegria por saber que, enfim, um pequenino terá chances de ser criança, de viver, ter um lar, pão, paz e afeto”, relatou Gito.

O trabalho social também é desenvolvido com crianças conhecidas como talibés, no Senegal, que também vivem nas ruas em estado de calamidade e forçadas a pedir dinheiro. Neste caso, elas são resgatadas e levadas a um orfanato no local.

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E são por essas experiências e missões na África que Rogers se dedica em disseminar durante as palestras por todo o Brasil e por uma obra literária de própria autoria que retrata a realidade das crianças tidas como bruxas. “Quero continuar com a 'mão na massa'! Tentando conscientizar alguns da urgência em caminhar na direção do nosso semelhante, em amor”, destacou.

G1
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