Cotidiano PCMG

PCMG integra pesquisa sobre uso de moscas na elucidação de homicídios

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) está integrando um grupo de pesquisa na área de Entomologia Forense, cujo objetivo é estudar o uso de ovos e larvas de moscas encontradas em corpos, para desvendar homicídios

02/07/2020 14h19
Por: R. A. C. O. Fonte: PCMG
PCMG integra pesquisa sobre uso de moscas na elucidação de homicídios

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) está integrando um grupo de pesquisa na área de Entomologia Forense, cujo objetivo é estudar o uso de ovos e larvas de moscas encontradas em corpos, para desvendar homicídios. Essas análises contribuem para estimar onde foi o crime e o tempo de morte em cadáveres já na fase de decomposição, em que o trabalho se torna mais delicado. Dois cadáveres que estão no Instituto Médico Legal André Roquette, na capital, já são objetos de estudo.

O Perito Pablo Alves Marinho, do laboratório de química do Instituto de Criminalística da PCMG, faz parte do grupo de estudo formado também pela professora da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), especialista em entomologia, Doutora Thelma de Filippis, e pela professora da UNB, Elisa Vianna. Os três pesquisadores estão formando o primeiro grupo do país de estudo permanente e catalogação de moscas, com a criação de um banco de dados.

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Conforme conta o Perito, a Entomologia Forense é a aplicação de conhecimentos da biologia dos insetos em questionamentos da área criminal. “É importante esclarecer que, após a morte, o corpo passa por um processo de decomposição, que é acelerado pela colonização de insetos necrófagos, os quais irão se alimentar dos tecidos do cadáver para o seu desenvolvimento. A análise desses insetos ou larvas em cadáveres em estado de decomposição pode contribuir de várias formas para entender melhor sobre o crime praticado”, explica.

Como funciona

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O Perito da PCMG descreve o procedimento: “Se baseia em coletar os insetos presentes no corpo em decomposição, anotar as condições ambientais relacionados ao local da ocorrência, transportar as larvas dos insetos para o laboratório, criá-las num ambiente controlado para emergir o adulto e, assim, realizar a identificação da espécie do inseto. Por último, são realizados cálculos matemáticos, utilizando dados publicados na literatura científica sobre a espécie coletada no local do crime”.

Ainda segundo Pablo Marinho, alguns estados do país já possuem peritos capacitados para analisar insetos coletados em corpos na fase de decomposição. No entanto, é necessário que as pesquisas na área de Entomologia Forense, ainda escassas, sejam ampliadas no Brasil.

O Perito observa que é preciso identificar quais as espécies de insetos existentes na região estudada são mais propícias a colonizar cadáveres em estado de decomposição. “Ter essas informações e montar um banco de dados local é fundamental para o desenvolvimento da Entomologia Forense no estado de Minas Gerais”, ressalta.

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Publicação

O estudo de Entomologia Forense foi publicado no Volume 9 da Revista Brasileira de Criminalística. A pesquisa, inédita em Belo Horizonte, contou com a participação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Faseh e alunos do Centro Universitário Una.

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