Agronegócio AGRO

Começa o vazio sanitário do feijão e do algodão

Manejo tem objetivo de reduzir incidência de pragas nas lavouras mineiras

21/09/2020 13h09
Por: R. A. C. O. Fonte: Agência Minas
Caso sejam detectadas inconformidades , o produtor é notificado e tem um prazo máximo de dez dias para erradicar as plantas presentes na propriedade
Caso sejam detectadas inconformidades , o produtor é notificado e tem um prazo máximo de dez dias para erradicar as plantas presentes na propriedade

O vazio sanitário do feijão e do algodão nas lavouras de Minas Gerais já está valendo em Minas Gerais. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é o responsável pela ação, que tem objetivo de prevenir a ocorrência das pragas do bicudo do algodoeiro, no algodão, e do mosaico dourado e da mosca branca, no feijão. Durante o período do manejo, os produtores não podem cultivar ou manter plantas vivas e remanescentes de safras anteriores. 

O manejo do feijão vai até 20/10. Já o do algodão ocorre no período de 60 dias, encerrando-se em 20/11. Em razão da pandemia, não será possível realizar fiscalizações rotineiras do vazio sanitário. Para suprir essa lacuna, os produtores devem comunicar a situação sanitária de sua propriedade, enviando a declaração de conformidade ao órgão. O documento está disponível entre 25/9 a 25/10 em www.ima.mg.gov.br.

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No ano passado, os produtores cumpriram com sucesso o vazio sanitário. O IMA realizou 128 fiscalizações, sendo 69 em propriedades de feijão e 59 em propriedades de algodão. Para 2020, mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, a expectativa também é positiva com a fiscalização remota.

Gerente de Defesa Sanitária Vegetal do IMA, o engenheiro agrônomo Nataniel Nogueira explica que, inicialmente, será realizado um chamamento aos produtores para que eles providenciem o envio da declaração de conformidade contendo todas as informações necessárias para a realização remota do monitoramento. A iniciativa é semelhante à bem-sucedida campanha do manejo da soja, ocorrida entre julho e setembro deste ano.

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“Entretanto, as fiscalizações presenciais podem ocorrer para atender a demandas de denúncias, bem como se houver autorização de retorno do trabalho presencial pelo Governo de Minas”, afirma o engenheiro. Nogueira explica que as informações prestadas pelos produtores contém dados relevantes para o IMA conhecer a área plantada e a localização das lavouras no estado, além de contribuir para a manutenção do status fitossanitário de Minas.

Produtividade

O cumprimento dos vazios sanitários do feijão e do algodão tem contribuído para reduzir o número de ocorrências das pragas e aumentar a produtividade do campo. “O vazio sanitário é importante tanto para a produção quanto para a produtividade, porque as plantas sofrem menos com o ataque das pragas. Com isso, as lavouras ficam mais sadias e produtivas”, analisa.

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Nataniel Nogueira informa que o número de infrações tem reduzido, o que mostra a conscientização dos produtores. “A cada ano percebemos a diminuição na emissão de autos de infração. Esse é um indicador de que os produtores rurais estão cumprindo os vazios sanitários, estão mais conscientes e preocupados com a proteção de suas lavouras e de seus vizinhos”, constata.

O IMA pode autorizar a semeadura e a manutenção de plantas vivas de algodão, quando solicitado pelo produtor rural por meio de requerimento e mediante assinatura de Termo de Compromisso e Responsabilidade, em caso de plantio destinado à pesquisa científica ou plantio destinado à produção de semente genética.

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Inconformidades

Caso sejam detectadas inconformidades durante as fiscalizações realizadas pelo IMA, o produtor é notificado e tem um prazo máximo de dez dias para erradicar as plantas presentes na propriedade. A lavratura de auto de infração ocorre somente se, após esse prazo concedido, o produtor não tiver feito a erradicação das plantas de algodão e feijão que nascem espontaneamente e que devem ser eliminadas para não servirem de hospedeiras para as pragas.

Feijão

O vazio sanitário para o feijão foi adotado em Minas em 2013 e é realizado simultaneamente com o Distrito Federal e com Goiás, que fazem fronteira com o estado, o que potencializa os resultados positivos da medida. Ele dura 30 dias e é feito na região Noroeste de Minas, nos municípios de Arinos, Bonfinópolis de Minas, Brasilândia de Minas, Buritis, Cabeceira Grande, Chapada Gaúcha, Dom Bosco, Formoso, Guarda-Mor, João Pinheiro, Lagoa Grande, Natalândia, Paracatu, Riachinho, Unaí, Uruana de Minas, Urucuia e Vazante.

A decisão de estabelecer o vazio para essa região é da Câmara Técnica de Defesa Agropecuária da Seapa, e atende a uma reivindicação dos produtores locais. A região é um importante polo produtor e os agricultores querem se prevenir contra a presença da praga do mosaico dourado nas lavouras.

Algodão

Já o vazio sanitário do algodão vale para as plantações de todo o estado e é realizado desde 2009 por um prazo de 60 dias. A produção mineira de algodão se concentra nas regiões do Triângulo, Alto Paranaíba, Noroeste e Norte. A segunda etapa, entre 30/10 e 30/12, acontece nas propriedades de algodão com áreas irrigadas abaixo de 600 metros de altitude.

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